Quando pensamos em inovação, o que nos vem à mente é algo relacionado à invenção, à criação pura, uma disrupção que muda significativamente uma situação; portanto, pensar e falar em inovação em Recursos Humanos deve ser um desafio mental, considerando o paradigma da intangibilidade natural desta matéria. Antes de seguirmos falando deste tema, primeiro precisamos clarificar o que significa de fato inovação.

Há várias apresentações sobre o significado desta palavra, porém todas têm como essência “a novidade ou renovação”; ou seja, Inovação é a “introdução de algo novo que muda o status quo”. Há a inovação evolucionária (contínua e dinâmica) que provoca avanços incrementais na tecnologia, processos ou hábitos, e a inovação revolucionária (descontínua) que é, em geral, perturbadora e disruptiva.

Inovação em Recursos Humanos

Como Consultor na área de Organização e Gestão de Pessoas eu sou comumente abordado por clientes com perguntas como “o que há de novo no mercado em Recursos Humanos?”. Eu costumo responder com uma pergunta para reflexão : “o que você está fazendo com o que você já tem instalado?”. Em resumo, às vezes corremos atrás de coisas novas e inovadoras e não utilizamos na sua plenitude o que já existe dentro de casa e, que tem provável potencial para mudar algo na empresa: novos pensamentos, a cultura, comportamentos, hábitos, práticas de gestão e resultados.

A inovação não está associada a soluções sofisticadas; ao contrário, a maioria das soluções inovadoras são aquelas simples, práticas e que geram visibilidade e resultados consistentes no curto prazo.

Diante do que foi exposto até aqui, afinal o que é inovação em Recursos Humanos?
  1. É sair de uma área eminentemente técnica-administrativa-operacional para uma área relacional-estratégica-transformadora;
  2. É orientar-se de “fora para dentro”, ou seja, ouvir os clientes internos (gestores e colaboradores) e entregar o que de fato esta população precisa e espera, ao contrário do que normalmente se faz atualmente;
  3. É entender o contexto externo, o negócio, a estratégia, o organismo corporativo (processos, cultura, valores, crenças, hábitos, estilos, ambiente, comportamentos);
  4. É antecipar-se às demandas futuras da empresa e prover os recursos humanos necessários no tempo certo;
  5. É acompanhar as transformações na sociedade e no mundo corporativo, adequando suas políticas e práticas relacionadas a Pessoas;
  6. É agir e ser vista como área parceira por toda a população interna, é surpreender constantemente;
  7. É ser simples e eficaz em suas abordagens e ações;
  8. É criar condições e promover constantemente ambientes mais simples, produtivos, inovadores e agradáveis para se trabalhar;
  9. É efetivamente desenvolver líderes gestores de pessoas e impulsionadores;
  10. É criar formatos atualizados de aprendizagem, é promover internamente o compartilhamento de experiências profissionais e do conhecimento organizacional;
  11. É criar condições para se absorver ao máximo a eficiência e potencialidade dos colaboradores;
  12. É construir uma marca empregadora, motivo de orgulho para os atuais colaboradores e de desejo para o mercado;
  13. É entender a dinâmica dos ciclos de evolução de uma organização, avaliar o estágio atual da empresa e criar soluções alinhadas ao momento;
  14. É agir dentro dos conceitos dos 7 P’s de marketing: produto, praça, preço, promoção, pessoas, processos, evidências físicas (physical evidence);
  15. É, acima de tudo, criar um novo mindset e agir na direção de novas práticas.

Após a leitura destas 15 condições para a inovação em Recursos Humanos, provavelmente você está se perguntando se é, e como é possível fazer tudo isso. De fato, é quase impossível fazer tudo isto no curto prazo, mas perfeitamente exequível no longo prazo. Comece avaliando o estágio atual de RH em sua empresa, em seguida elabore um plano estratégico de mudanças (5 anos), defina prioridades, identifique as ações necessárias, promova ações fáceis, simples e que geram resultados visíveis imediatos. Monitore o avanço do plano, reconheça os acertos e principalmente os erros como forma de aprendizagem e evolução do plano original; certifique-se que você está com uma equipe preparada para este novo contexto, envolva de forma produtiva os parceiros internos criando um maior engajamento, garanta o patrocínio da liderança. E lembre-se, nenhuma mudança é um movimento fácil, porém ela é continuamente necessária, principalmente na área de Gestão de Pessoas que, ao meu ver e de acordo com estudos realizados, apresenta uma razoável lacuna entre o que é esperado e necessário e o que de fato está sendo entregue.

“Eu acredito que a inovação está ao seu redor. Você vê o que alguém já está fazendo, adapta isso ao seu local e eleva a novos níveis. Este processo nunca para.”
Jack Welch (ex-CEO da GE)

Dorailson Pereira Andrade
Diretor Geral